Os dados das eleições de 2026 mostram uma ascensão significativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em todas as faixas de renda, especialmente entre os eleitores de classe média baixa, conforme análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do IBGE.
A relação entre renda e voto nas eleições
Um estudo que cruzou os resultados das quase 500 mil seções eleitorais com informações de renda do Censo 2022 aponta que, em geral, regiões com menor renda mostraram uma maior preferência por Lula. No entanto, ele conseguiu melhorar seu desempenho em todas as classes sociais no segundo turno, principalmente entre os eleitores com renda intermediária.
Desempenho por faixa de renda
Nas áreas onde a renda média era de R$ 2.590 a R$ 2.920, Flávio Bolsonaro (PL) havia liderado no primeiro turno. Contudo, no segundo turno, Lula obteve uma expressiva mudança, aumentando sua votação de 44,4% para 51,6% dos votos válidos. Nas regiões com renda média mensal inferior a R$ 1.780, Lula conquistou 74,2% dos votos, enquanto nas áreas com renda de R$ 5.190 a R$ 7.130, o apoio caiu para 41,7%. Isso reflete uma tendência de diminuição na votação do petista conforme a renda aumenta.
Crescimento na classe média baixa
Um dos dados mais notáveis é o crescimento de 7,2 pontos percentuais de Lula entre os eleitores de classe média baixa, que representa 9,4% do eleitorado, ou cerca de 14,7 milhões de pessoas. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro teve um aumento modesto, de apenas 0,8 ponto percentual em seu apoio nessa mesma faixada renda.
No geral, Lula obteve uma vitória com 51,8% dos votos válidos, totalizando 64,3 milhões de votos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro. Essa análise evidencia não só a alteração nas preferências eleitorais, mas também as diferenças regionais que influenciam o comportamento dos eleitores em relação à renda.
Disparidades regionais nas eleições
As variações nas fronteiras de renda onde Flávio superou Lula mostraram-se diferentes entre os estados. No Nordeste, por exemplo, Lula manteve a liderança em todas as faixas de renda, com destaque para a Bahia, onde conquistou 60,7% dos votos mesmo nas áreas mais ricas. No entanto, em estados como Goiás, Paraná e Santa Catarina, Lula apenas liderou nas áreas de menor renda.
Enquanto isso, no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, que tem sua base política no estado, obteve seu maior apoio nas faixas de renda mais altas, superando Lula. Essa dinâmica revela um cenário eleitoral complexo, com diversos fatores influenciando o comportamento do eleitor.
Esses resultados não apenas demonstram o crescimento de Lula em várias faixas de renda, mas também destacam a importância de entender como as diferenças regionais e socioeconômicas podem afetar as eleições no Brasil.




