Lucélia Albuquerque, renomada passista de frevo e cofundadora do grupo Guerreiros do Passo, faleceu na madrugada deste domingo (8), aos 44 anos, no Recife. Ela tinha um papel fundamental na preservação do frevo, que é considerado Patrimônio Cultural da cidade, e ganhou reconhecimento internacional ao atuar no Festival de Cannes com o filme “O Agente Secreto”.
Detalhes sobre o falecimento
A confirmação da morte de Lucélia veio da família, que a anunciou por volta da 1h20. A artista enfrentava um tratamento contra o mieloma múltiplo, um tipo de câncer que afeta a medula óssea, há sete anos. O velório está sendo realizado na Casa Batista, localizada no bairro de Santo Amaro, e o sepultamento está agendado para as 15h no Cemitério de Santo Amaro.
Uma trajetória marcada pela luta e pela arte
Eduardo Araújo, viúvo de Lucélia e também fundador do Guerreiros do Passo, relatou que ela estava internada desde o dia 30 de outubro no Hospital da Unimed, no centro do Recife. “Ela vinha lutando contra a doença, passando por vários protocolos, mas não deram os resultados que a equipe médica esperava. Ela foi lutando, mas era uma rotina muito pesada e cansativa e, agora, de fato, ela descansou”, disse.
Contribuições para o grupo e o frevo
Lucélia era uma figura central no Guerreiros do Passo, onde começou sua carreira ao lado de Eduardo, em uma escola de frevo. Ela não só atuava como passista, mas também assumiu a produção do grupo, buscando recursos para garantir a continuidade das atividades. “Lucélia sempre comigo, em manada, em parceria, companheira, participando das ações do grupo”, compartilhou Eduardo.
A participação do Guerreiros do Passo no Festival de Cannes, em maio de 2025, foi um marco importante. O grupo apresentou-se durante a estreia do filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, recebendo dois prêmios durante o evento. Lucélia também participou de uma exibição especial no Palácio da Alvorada, em Brasília, a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Legado e homenagens
A morte de Lucélia Albuquerque gerou uma onda de tributos nas redes sociais e declarações de autoridades. A Secretaria de Cultura de Pernambuco e a prefeitura do Recife expressaram suas condolências, ressaltando o impacto da artista na valorização do frevo. “Lucélia fez do frevo sua expressão de vida, levando aos corpos, às ruas e à memória coletiva a força, a alegria e a resistência dessa manifestação tão representativa da nossa cultura”, afirmou a nota da Secult.
Eduardo destacou que, mesmo durante os desafios do tratamento, Lucélia continuou a se envolver com o grupo e planejava novos projetos: “Ela nunca esmorecia. Tinha uma vontade de viver incrível, uma vontade de fazer as coisas, de realizar.” A comunidade cultural de Pernambuco sente profundamente a perda de uma artista que dedicou sua vida ao frevo e à educação.

